Author: lia

  • Women’s bikepacking weekend by night

    Women’s bikepacking weekend by night

    • Partida / Chegada : Jardim da Correnteza, Sintra
    • 4-5 de Julho de 2026
    • 138 km
    • cerca de 1980m de desnível positivo
    • 35% off-road

    Inicialmente planeado para a Serra de Sicó, o Women’s Bikepacking Weekend (WBW) de Verão teve de ser anulado na véspera devido a uma onda de calor que elevou a níveis máximos o perigo de incêndio florestal, tendo o governo decretado interdição generalizada de acesso a áreas florestais para essas datas. 

    Com temperaturas a rondar os 40°C em grande parte do país e não querendo anular o evento, acabámos por decidir realizá-lo no litoral da zona Oeste, ligeiramente mais fresca devido à brisa do mar e também optámos por pedalar principalmente por estradas secundárias, longe de áreas florestais. Quanto à partida, acabou por ser adiada para as 17h de modo a pedalar maioritariamente durante a noite, o que nos ofereceu temperaturas mais clementes, que mesmo assim rondaram os 30°C.

    Todas as participantes inscritas no WBW inicial do Sicó aceitaram sem hesitação esta nova rota e condições e mesmo sob um curto aviso, 7 mulheres embarcaram nesta aventura pelo Oeste. 

    Com início em Sintra, pedalámos sob um pôr do sol quente e dourado, partilhando risos que continuaram noite dentro. Mais tarde, depois de um jantar com vista para o Convento de Mafra e uma paragem para bebidas refrescantes em Torres Vedras, continuámos até à praia onde estava previsto dormirmos, apenas para a encontrarmos completamente destruída pelas tempestades desta Primavera. A falésia tinha ruído e engolido a estrada e a praia, que deixaram de existir. 

    Foi neste momento que tivemos de colocar o plano B em acção, que consistia em dormir num lavadouro um pouco acima da praia. Ao abrigo do orvalho da noite, sem necessidade de montar tendas, aproveitámos ainda para nos lavar com água fresca antes de dormir. A benece de poder tirar o sal e o pó do corpo antes de entrar no saco cama soube como um pequeno luxo.

    No dia seguinte começámos cedo, à procura de um café onde pudéssemos tomar o pequeno-almoço, antes de seguirmos a nossa rota rumo à Ericeira, sempre à beira-mar, onde pouco depois chegámos a uma praia menos frequentada onde aproveitámos para o tão merecido mergulho no mar.

    Apesar de ter sido uma pequena aventura no nosso “quintal” de apenas dois dias, valeu pela capacidade de adaptação, compreensão e receptividade de todas. Esta foi mais uma prova de que o desporto de aventura e sobretudo as atividades em autonomia como aquela que nos juntou, têm cada vez mais de saber como se adaptar às condições climáticas extremas a que cada vez mais assolam o nosso planeta. 

    Desta vez não foi possível irmos até à Serra de Sicó, mas essa aventura fica apenas adiada. Até lá, ganhámos em companheirismo, autonomia e capacidade de adaptação.

  • Badlands women’s rally

    Badlands women’s rally

    • Abril de 2024
    • 8 dias
    • 600 km
    • 12’500m de desnível positivo
    • Início : Granada (ES)
    • Fim : Almería (ES)

    Qual a melhor história para inaugurar os relatos da comunidade senão aquele de onde esta nasceu ? 

    Tudo começou com uma inscrição no Women’s Komoot Badlands Rally (atualmente Lael’s Rallies), que acabou por nos juntar (Lia e Diana) numa aventura pela Andaluzia profunda. 

    Primeiro vieram os treinos. Tínhamos cerca de 3 meses para nos prepararmos para esta travessia,  que coincidiam exatamente com os meses de Inverno. O treino possível consistiu em rolos durante a semana e, nos fins de semana em que não chovia, ir pedalar na lama. Digamos que não foi a preparação ideal para uma rota que atravessa dois desertos, mas permitiu-nos conhecer-mo-nos e compreender se podíamos ajustar os nossos ritmos pessoais para pedalar juntas durante uma semana.

    Chegado Abril, fizemo-nos à estrada em direção a Granada para nos juntarmos às 70 participantes deste evento, organizado pela Lael Wilcox, com o apoio da Komoot e dos organizadores da prova de ultraciclismo Badlands.


    Fomos recebidas na noite anterior com o briefing e um jantar no centro de Granada para conhecer e socializar com as outras participantes, que vinham dos 4 cantos do Mundo. Este momento de convívio foi um dos poucos que tivemos durante a semana, pois formaram-se grupos de pequena dimensão e diferentes ritmos e cada um seguia ao seu próprio ritmo, com mais ou menos atalhos e dormindo em alojamentos ou tendas. Nós optámos por nos manter juntas e, de vez em quando, pedalávamos com outras participantes quando nos cruzávamos. 

    O primeiro dia começou bem, com a subida da Sierra de Huétor para sair de Granada, uma longa subida de estradão em gravel champagne, onde o grupo se foi mantendo junto, até uma grande trovoada nos ter apanhado de surpresa no topo da serra. Por questões de segurança (relâmpagos em altitude podem ser perigosos), uma parte do percurso foi desaconselhada e a grande maioria das participantes acabou por dormir na aldeia em alojamentos. Nós tivemos melhor sorte, pois passada a trovoada, parámos no café a beber algo quente e a secar, onde olhámos para o mapa e decidimos continuar o percurso para uma zona onde poderia haver hipótese de bivaque. Acabámos por dormir ao quente e secar toda a nossa roupa e sapatos graças a uma “cueva” (casas de terra tradicionais da Andaluzia) onde dormimos.

    Os restantes dias foram um deslumbramento constante proporcionado por paisagens inesperadas e infinitas, que têm o dom de  nos fazer sentir pequenas no meio de tamanha imensidão. A rota atravessa várias paisagens protegidas, tais como os desertos de Gorafe e de Tabernas, a Serra de Baza e o parque natural de Cabo de Gata, tendo fim em Alméria, à beira do Mediterrâneo.

    Tínhamos um planeamento diário com uma estimativa de quilómetros, acumulado e eventuais pontos para acampar, mas acabámos por ir adaptando os nossos dias de forma a gerir a logística e o cansaço sem nos esgotarmos. Isso não quer dizer que não tenhamos passado alguma fome, algumas dificuldades em obter água potável e, para não esquecer a dureza da rota em si, alguns dias de muito acumulado em off-road constante. Fomo-nos adaptando ao longo da travessia e chegámos ao fim com um sentimento de conquista e realização pessoal.

    Num território muito marcado pela desertificação e pelo despovoamento, há histórias que nos marcaram, como o facto da presidente da junta de uma das aldeias por onde passámos nos ter acolhido com pompa e circunstância, surpresa de ver tanta malta nova a passar pela sua terra e desejosa de poder acolher uma próxima edição.

    Muitos dos trilhos não passavam de rios secos, cheios de areia ou de pedras rolantes. Também passámos por uma aldeia onde a única agua potável vinha de um camião cisterna. Estes são testemunhos de uma paisagem que um dia foi verde, mas que foi condenada pela agricultura intensiva que consome toda a água desta região. Chegadas a Almería, uma enorme barragem completamente seca e uma visão das estufas que se estendem mar adentro a perder de vista deixaram-nos sensibilizadas. Esta paisagem foi transformada pelo ser humano e isso vê-se em cada local, mesmo se poucos ficaram para o testemunhar. 

    Um final pouco social: a festa na praia anulada pois os ventos fortes não permitiam nada que se parecesse com actividade na praia, bikes embaladas em película aderente para apanhar o autocarro de volta para Granada, onde tínhamos o nosso carro estacionado para voltar a Lisboa. 

    Um sentimento de coração cheio nesta viagem plantou uma semente de esperança em criar algo que se parecesse, sensivelmente, com aquilo que tínhamos acabado de viver: inclusivo, acessível e aberto a todas as mulheres, que proporcionasse pequenas aventuras e nos permitisse usufruir das belas paisagens portuguesas da melhor forma, saindo das nossas rotinas do dia a dia.

    O Women’s Bikepacking Portugal nasceu desta ideia e, apesar de ser um projeto recente, acreditamos que pode fazer a diferença e proporcionar-nos, a todas, acesso a uma comunidade onde podemos viver e trocar experiências em torno do ciclismo de aventura.

  • Women’s bikepacking weekend Alentejo

    Women’s bikepacking weekend Alentejo

    • 6-7 de Dezembro de 2025
    • 205 km
    • cerca de 3000m de desnível positivo
    • 60% off-road

    O Women’s Bikepacking Weekend Alentejo foi uma aventura de bikepacking off-road de dois dias pela vastidão das planícies alentejanas, que juntou 21 mulheres de 9 países diferentes.

    O primeiro dia, com partida do parque de campismo de Castro-Verde e dormida no Pomarão, onde já chegámos de noite, levou-nos por caminhos de gravel “champagne” e paisagens agrícolas, com direito a uma travessia de barco e a alguns portões de herdade fechados, que alimentaram a aventura.

    Depois de uma noite bem passada no antigo museu da aldeia, que amalvemente cedido pela junta, partimos em direção às minas de São Domingos (atualmente abandonadas), um local conhecido por pela sua terra vermelha e paisagem lunar. Com paragem para almoço programada na cidade de Mértola, onde as migas e o porco preto não deixaram de fazer felizes as foodies mais destemidas, chegámos a Castro Verde ao final da tarde, a tempo para um duche antes do jantar de convívio no 4Bs.

    Este fim de semana contou com a colaboração da Juliana Veterano, criadora do podcast zone 2 speak et do projeto she rides, que promove o ciclismo de aventura no feminino, assim como das Juntas de Freguesia de Castro-Verde e do Pomarão, e dos nossos queridos amigos e criadores da prova de ultra-ciclismo Gravel Birds. Um grande obrigada a todas as participantes, em especial à Missroofless pela reportagem fotográfica.

  • Women’s bikepacking weekend Trás-os-Montes

    Women’s bikepacking weekend Trás-os-Montes

    • 13-14 de Setembro de 2025
    • 124 km
    • cerca de 2400m de desnível positivo
    • 70% off-road

    Com partida da cidade de Bragança, um grupo de 7 mulheres partiu à exploração da Terra Fria, numa das regiões mais remotas de Portugal.

    Por paisagens de blocos de pedra desarrumados, até a dormir num refugio adossado a uma destas pedras, tudo aqui nos lembra dureza. Mas nem só de pedal se fazem estes fim de semana, são também diversão, entreajuda e partilha, pelo que esta micro-aventura também se fez de banhos de rio e de piqueniques à sombra.

    Uma das regras do bikepacking é “leva apenas o essencial“, mas o essencial é subjectivo e nesta comunidade já começam a existir as tradições que tanto apreciamos, uma delas é a garrafa de vinho para festejar ao jantar, o que calha ainda melhor em época de vindima.

  • Women’s bikepacking weekend Serra de Aire e Candeeiros

    Women’s bikepacking weekend Serra de Aire e Candeeiros

    • 18-19 de Abril de 2025
    • 120 km
    • cerca de 2000m de desnível positivo
    • 60% off-road

    O Women’s Bikepacking Weekend Serra de Aire e Candeeiros convidou as participantes a descobrir a beleza escondida e os caminhos de uma das Serras menos exploradas da Zona Oeste.

    Com partida de Alcobaça, a palavra de ordem do fim de semana foi água e mais água. Uma Serra que costuma ser seca nos meses de Verão, nesta Primavera transformou-se, dando a conhecer cascatas, rios e alguma chuva durante o primeiro dia. Felizmente que a noite estava planeada num sitio coberto, um dos vários algares de rocha que povoam esta Serra.

    Com as bikes carregadas e algum hike a bike, as 8 participantes avançaram Serra acima, por entre pastos e muros de pedra, que tanto caracterizam esta paisagem, até alcançar a cumeada da Serra dos Candeeiros, onde reinam alguns aerogeradores, com vista até ao mar.

    Como pontos altos deste fim de semana ficam a Cascata da Fórnea, a noite dormida no algar e a ecopista da Bezerra, em Porto de Mós, convertida de um antigo caminho de ferro ligado à indústria mineira do carvão.

  • Women’s bikepacking weekend Sintra

    Women’s bikepacking weekend Sintra

    • 6-7 de Dezembro de 2025
    • 153 km
    • cerca de 2600m de desnível positivo
    • 50% off-road

    A edição piloto do women’s bikepacking weekend realizou-se no nosso quintal, entre Mafra e Sintra. Entre os trilhos do Lizandro, as falésias com uma vista desafogada para o Atlântico e o bivaque na praia da Samarra, foi um fim de semana de outono ameno e cheio de cumplicidade.

    Com início e final em Sintra, o percurso levou-nos pelas colinas do Oeste até Mafra, com o seu Convento eternizado por Saramago, e depois pelos trilhos do Lizandro, até à capital nacional do Surf, a vila da Ericeira. Depois de um jantar copioso num restaurante local, montámos as nossas tendas sob um belo céu estrelado e adormecemos embaladas pelo som das ondas a quebrar na praia.

    Pela manhã tivemos a visita de uma amiga que nos trouxe água e pão frescos, para o pequeno-almoço, que foi um luxo muito bem-vindo para quem sabia que a saída da praia implicava subir um trilho em hike-a-bike. O segundo dia foi mais intenso em termos de desnível, com a subida à Peninha, descida a Cascais e uma segunda subida à Serra de Sintra, com passagem pela Quinta do Pisão, um espaço inserido no Parque Natural de Sintra-Cascais que combina historia, agricultura e biodiversidade, para além de muitos kilómetros de caminhos pedestres de gravilha.

    Uma primeira edição um pouco ambiciosa, sobretudo em termos de desnível positivo, mas que se revelou essencial para perceber que esta comunidade tem futuro e que ganhamos muito em continuar a propor este tipo de actividade.

  • Women’s bikepacking weekend Arrábida

    Women’s bikepacking weekend Arrábida

    • 21-22 de Dezembro de 2024
    • 113 km
    • cerca de 1800m de desnível positivo
    • 50% off-road

    O segundo women’s bikepacking weekend aconteceu no Solstício de Inverno, anunciando a noite mais longa do ano. Com partida da cidade de Setúbal e uma subida à serra como aquecimento, demos por nós em pleno mês de Dezembro a fazer um piquenique na praia do Portinho da Arrábida em t-shirt , debaixo de um sol radiante! São estes dias de céu limpo, ventos gelados e noites frias, que dão ao Inverno as suas cores límpidas.

    Entre a dormida planeada numa casa abandonada na falésia que, provavelmente, terá das melhores vistas do canto e uma garrafa de ginginha que alguém teve a bela ideia de trazer, este foi sem duvida o fim de semana perfeito em cima da bicicleta. O frio e o vento durante a noite foram impiedosos, mas a vista pela manhã compensou tudo isso.

    O hike a bike deste fim de semana fez-se ao subir a falésia com a bike ao ombro, depois de decidir se o faríamos com ou sem as malas montadas. Depois disto tudo pareceu mais ameno, até o tempo, com menos vento, subidas mais curtas e o farol do Cabo Espichel a marcar a beira-mar.

    De volta a Setúbal, noite escura novamente, os javalis que se apressam a atravessar e um cansaço bom que nos leva a pensar qual será a próxima aventura.